A dura realidade da recaída
(Caio Fernando Abreu)
Pátio
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Hoje deu saudade, foi isso que quis dizer...de madrugada sempre dá saudade.
Talvez amanhã mude.
Já não preciso me olhar no espelho para saber que estou com a mesma cara cansada, as mesmas olheiras e os mesmos olhos cheios de lágrimas do dia anterior. Quando abro os olhos me pergunto quem sou eu, onde estou e sabe, foda-se! Eu sou só eu e ponto. No mesmo quarto, na mesma cama, com a mesma parede verde erva doce com as mesmas flores vermelhas desenhadas, e elas tem um vermelho tão vivo que seria facilmente confundido com o meu sangue, se eu pelo menos tivesse força para arrancar meu coração com as mãos. Mas tá bom, foda-se, essa sou eu, e continuo sendo a mesma, com o coração no mesmo lugar, com a mesma falta de ar, com a mesma sensação de não saber o caminho da superfície, com os pulmões exaltados e com o sangue pulsando muito quente nas minhas veias.
Depois quando meu dia realmente começa, tudo se acalma, e eu sinto um alívio tomando meu corpo e lá no fundo eu só ouço o som do meu coração ainda muito exaltado. Coração é um órgão muito idiota que nos mantém vivos quando queremos morrer. Sempre contrariando nossas vontades, sempre nos obrigando a levantar e a ter esperança. Foda-se, nada disso adianta porque eu continuo sendo eu, só eu, eu só. Só por um dia eu gostaria de acordar não sendo eu, queria descansar de mim e do meu coração. Queria acordar descansada, queria sobreviver a mim mesma.
Me levanto todos os dias com a desilusão de ainda ser eu, e não sei explicar porque ainda me choco de não ser diferente. Mas a esperança é realmente uma mula, e todos os dias, antes de dormir, me diz que irei acordar diferente. E normalmente eu durmo com um risinho leve, porque tem um pouco de esperança de amanhecer outra pessoa, mas aí eu acordo e choro e depois grito e depois me conformo com o destino e durante todo o meu dia eu tento ser diferente para que no dia seguinte alguma coisa realmente mude.
E agora eu vou dormir, com o coração pulsando forte e cheio de esperança, de que amanhã, quem sabe, eu consiga acordar diferente.
Eu vou tentar.
Enquanto você ouvia Weary Blues eu pensava que um dia vamos parar de voltar...
Entendo cada dia menos. Guardo recordações, sensações e sentimentos em um espaço muito turbulento da minha memória. Tranco a porta e prendo com o pé para que o pouco que eu tenho não desapareça e me agarro ao que fomos por ser a lembrança mais nítida de tudo. Acho que essa é a única forma de esquecer o que somos hoje. É a forma mais saudável, foi como eu consegui continuar.
Somos ou éramos. Me perco entre os tempos verbais quando falo de você. Nos meus pensamentos fica mais fácil. Fomos perfeitos, não somos mais. Mais explicar porque eu ainda volto é tão difícil que prefiro me perder do que concluir a frase. Os nossos sorrisos eram perfeitos, os nossos beijos eram perfeitos, o nossos abraços eram perfeitos, as nossas palavras, nossas conversas noite afora também eram perfeitas. Fomos um do outro, e não sermos mais e ainda assim voltar um pro outro me deixa perdida e eu não entendo nada, aí de novo prefiro não pensar.
Tem sempre alguma coisa que nos faz voltar, mesmo não podendo voltar a um lugar que não existe mais, a gente sempre volta, cada dia um pouquinho. Eu pensei que fosse por saudade, mas definitivamente a saudade não explica nada. Quando não temos mais nada, sobramos nós dois, como você disse: “sou em você o que me separa do resto do mundo”. E quando acaba, saímos de algum lugar que eu não conheço, respiramos fundo, levantamos a cabeça e voltamos para o nosso lugar atual, onde o outro não existe e onde não existe espaço pro outro. A cada dia vemos nesse lugar só nosso, um pouco mais de claridade. E um dia a escuridão vai deixar de existir, eu sei disso, você sabe disso, e deve ser por isso que ainda voltamos. A gente nem se quer mais, mas pra não deixarmos o que fomos ir, nós voltamos. É irresistível. Não é por saudade, não é por amor, é só pra um pouco mais de escuridão antes que a claridade inevitável nos leve embora de uma vez.
Firenze
Tudo na minha vida sempre foi assim: uma notícia boa, uma notícia, um choro de manhã, uma alegria no final do dia...
Exatamente quando eu não sabia mais o que fazer, depois de já ter perdido tudo, eu ganho um novo recomeço, um monte de história pra contar, gente pra conhecer e muito aprendizado.
É, hoje eu to feliz. O saldo foi positivo...como sempre...
De toda essa falta que você me faz
Não, me diga nada, por favor
Que venha me fazer sofrer ainda mais
Eu pensei que o mundo era todo meu
Mesmo sem você, eu entendo agora
Que eu me perdi ao perder você
E o mundo que era meu, eu joguei fora
Diga que entre nós não mudou nada
Que a minha estrada é a sua estrada
Que os meus sonhos
São os sonhos seus
Diga que tudo está do mesmo jeito
Que ainda existe no seu peito
Aquele mesmo coração
Que nunca me esqueceu.
Eu decidi que vou tentar mais um pouco. Está quase amanhecendo, tá naquela hora em que a gente era feliz, sabe? Vou abrir as janelas pra ver o dia chega. Vou deixar esse solzinho de primavera acordar a sala e tomar conta do quarto.
Agora preparei aquela chá que trouxe da vez passada. Vou enfeitar a casa para a sua chegada. Assim que o homem das flores colocar seus cravos vermelhos no balde com água eu vou descer e comprar. Quero colorir os teus dias.
Se a moça das frutas trabalhar hoje, eu vou comprar uma de cada cor, uma de cada sabor. Eu quero que seja bom pra você, que seja doce.
Já escondi a tristeza, eu quero que você se alegre.
À noite eu vou usar um vestido legal, mesmo que a gente fique em casa. Eu quero me enfeitar pra você. Lembra aquele dia que coloquei salto e maquiagem pra ver "Wall-e" pela décima vez? A gente foi feliz.
Eu quero que a gente seja feliz de novo, e essa é a minha resposta pra você: Sim, eu vou tentar até conseguir.
"É você. Só você, que na vida vai comigo"
eu preciso dizer que te amo
São duas e meia da manhã e eu ainda estou acordada, só pra ver dormir. A sua mão está em formato de concha em cima da minha perna. Eu não me mexo muito para não perturbar o seu sono. Jantamos aquela comidinha brasileira, delicioso como sempre. Depois fomos ao cinema ver a última sessão do filme do momento. E ele deve ter sido bom, eu não consegui prestar muita atenção. Me perdia sempre que olhava pra você, bem ali do meu lado. Depois no caminho para de volta para casa, uma música antiga no rádio do carro, te fez abrir a boca e cantar um pouco. Eu estava com vontade de dizer que também sofro de um problema de expressão. Queria perguntar que música era aquela, mas não quis te interromper. Queria falar sobre mim. Queria dizer que te amo e que não sei porque não tenho conseguido articular essas palavras. Você estava tão sereno ao lado, os teu olhos são tão pequenos, mas tem um brilho tão forte que iluminava aquela escuridão do carro. Chegamos em casa, fomos pro quarto. Me perdi de novo, tentando decorar todos os sinais das tuas costas, a cor exata de cada centímetro da tua pele. Você colocou aquel pijama que tinha ficado aqui da outra vez, tá com um rasgo na manga, acho que você nem percebeu. Deitamos na minha cama. E eu continuo sem saber o que fazer com a música que me enche a cabeça e com as flores que querem nascer da boca. Eu continuo sem conseguir controlar essa colonia de orcas famintas que estão fazendo folia dentro do meu estomago. Eu estou aqui, te vendo dormir, com muita coisa gritando dentro de mim, mas eu ainda não consigo dizer nada. Coloco as minhas mãos no teu rosto com uma grande esperança de que você esteja sonhando comigo te dizendo com todas as palavras o tamanho do amor que tenho por você.
Devaneios - "Por que não vem logo me aquecer?"
É sério, já estou lúcida, meus olhos estão bem abertos e tenho noção de tudo que aconteceu nos últimos dias. Já consigo entender tudo e aceito o que não entendo, exatamente como combinamos.
A cada dia me descubro um pouco mais, tem sido incrível esses últimas dias, eu tenho percebido tanta coisa em mim, eu tenho precisado tão mais de mim do que de qualquer outra pessoa, tenho controlado meus desejos, minhas ânsias. Estou mais forte, mais tranqüila. Mas também estou mais sem paciência pro resto do mundo. Aqueles dias foram essenciais, e obrigada por isso também. Chega de ser a boazinha que entende todo mundo e que carrega o peso do mundo nas costas, né?
Mas agora que já estou daquele jeito que a gente combinou, eu acho que você poderia me aquecer um pouquinho.
Eu vi que você trabalhou na nossa teoria, e eu acho que a gente poderia se aquecer um pouquinho. Você é um safado-sem-coração-que-judia-de-mocinhas-indefesas, eu sei disso melhor do que ninguém, mas quando você me olha daquele jeitinho eu me aqueço, parece que é verão. E quando você liga só pra falar que eu sou sábia e que tudo ta dando certo, eu sinto uma alegriazinha tão aguda que mesmo você sendo um maldito-coração-de-pedra, eu te quero perto de mim.
E quando você fica horas me ouvindo falar de uma criancinha que ta crescendo fora de mim, mas que dentro do meu coração já ocupa um espaço enorme, eu te acho o maluco-que-não-sabe-nada-de-mulher mais interessante do mundo. E eu volto a sentir vontade de ser feliz com você, e no final das contas, é tudo culpa sua.
Eu perdi muito nos últimos meses, mas disso já não quero me lamentar, não quero lembrar de nada do que passou, nem me doar além do necessário. Quero só um colinho quentinho para me aconchegar no final de uma tarde fria. Quer ser exatamente como sou. Quero ter as minhas cores contrastando com a tua sobriedade. Quero ser de dentro pra fora. Acredito nos meus sonhos e não nas minhas utopias. Mas quando sonho, é bem alto e eu quero acreditar que dá pra chegar lá em cima, quantas vezes forem necessárias. Eu já acordei tanto na metade do sonho, mas eu sempre ia dormir com o pensamento tão forte que voltava a sonhar.
Eu to assim hoje, te pedindo o colo quentinho e arrumando a minha vida nada perfeita. Amanhã, quem sabe? Me renovo sempre que a vida pede. Eu mudo, me transformo. Mudo as minhas roupas, mudo a minha língua, mudo o meu cabelo. Me adapto. Me perco, me procuro e me acho. Não me entrego pela metade, não sou tua meio coleguinha nem teu quase amor. Ou sou tudo ou não sou nada. Não suporto os nossos meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Sou até ingênua, mas não sou nada santa. Tenho o riso fácil e o choro nem tanto. Sou de tantas maneiras e você sabe disso. E só porque você sabe disso eu estou sem máscaras e tranqüila para te dizer o que estou sentindo, mesmo que por esse meio, e mesmo que amanhã eu tenha me arrependido. Não vou dormir com palavras e nem com sentimentos presos. A gente combinou e eu vou falar tudo.
E eu adoro essa sua nova fase de moço que dorme pouco e passa a madrugada falando besteira e me fazendo rir quando eu acordo com essa vontade maluca de sofrer.
é dia e faz calor
E se?
E se nunca tivesse existido tanta felicidade, será que teria existido tanta tristeza?
Eu só sei que se nada disso tivesse acontecido eu não teria tido a melhor sexta-feira da minha vida, e ela ainda não acabou, porque só acaba quando eu durmo e acordo. E eu não quero dormir, eu não quero, eu não quero dormir nunca mais. Eu não quero acordar e eu não quero que essa sexta-feira acabe.
E se ela acabar?
Mas então, por que tantos erros? Por que tantos danos? Por que tanta pedra no meu caminho? Por que não dá certo?
Semana que vem tem outra sessão...
"sempre tive a sensação de mal-estar no mundo, uma sensação de não caber no meu espaço, um desconforto diante de meus pares – eu me pergunto: tenho pares? eu sabia que em mim há uma mulher que tento esconder ferozmente. tenho medo que as pessoas identifiquem meus excessos, essa quantidade absurda de pernas e braços que camuflo sob a roupa que visto. o que diriam se soubessem das muitas que vivem em mim e tentam bravamente, numa luta corporal, projetar-se do meu corpo? tomariam-me por uma aberração?" Clarice L.
Perdida
Teresa Sá
Páscoa
Delícia ter disposição para dar a Alice o melhor dessa vida. Tô feliz por ter acordado tão disposta e por ter tido uma manhã tão criança com ela.
Depois fizemos planos para a chegada do Tadeu, e ela idealizou como será nossa páscoa do ano que vem.
Eu não pensei muito, só quero que seja um dia tão animado quanto o dia de hoje...agora vamos ver alguns filmes e esperar o sono vir...delícia de dia.
Respostas musicais
(Maria Bethânia - Reconvexo)
Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você? (…)
2) O que as pessoas acham de você?
(The Beatles - Somethings)
Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me
I don’t want to leave her now
You know I believe and how
Somewhere in her smile she knows
That I don’t need no other lover
Something in her style that shows me (…)
3) Como descreve o seu último relacionamento?
(Arnaldo Antunes - Socorro)
Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir…
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada (…)
4) Onde gostaria de estar agora?
(The Beatles - Here, There and Everywhere)
To lead a better life
I need my love to be here…
Here, making each day of the year
Changing my life with a wave of (his) hand
Nobody can deny that there’s something there (…)
5) O que pensa a respeito do amor?
(Legião Urbana - Monte Castelo)
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a línguua dos anjos
Sem amor, eu nada seria (…)
6) Como é a sua vida?
(The Beatles - In My Life)
There are places I remember all my life
Though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone and some remain
All these places had their moments
With love and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I’ve loved them all (…)
7) O que pediria se pudesse ter só um desejo?
(The Carpenters - Top Of The World)
I’m on the top of the world looking down on creation
And the only explanation I can find
Is the love that I’ve found ever since you’ve been around
Your love’s put me at the top of the world (…)
Mas falar do futuro é tão impossível, especialmente na minha vida, onde tudo acontece ao mesmo tempo, que apaguei todas as linhas. E aí ficou um espaço em branco, vazio...acho que é assim, não dá pra saber como será, não dá pra fazer planos...eu só espero ser feliz.
Por enquanto, eu quero abrir os meus ovos de chocolate e comer todos, um por um, cada pedacinho...amanhã eu penso no resto.
São quase 4horas da manhã e eu a única coisa que penso é no chocolate que vou comer agora!
Nada mau...rs
Obrigada por arruinar a minha vida Parte II
Eu não sou de mentira, eu não sou de mentir, sendo assim, quando eu disse que era pra sempre eu falava sério, o amor que senti era realmente pra sempre, e você era realmente o homem da minha vida. Muito obrigada por ter me deixado sozinha, muito obrigada por ter tirado de mim o direito de ter uma casa no campo, filhos correndo no jardim e um domingo de manhã.
Serei feliz, claro que serei. Já estou sendo. Mas você tirou de mim a possibilidade de ser a mulher mais feliz do mundo. Eu sempre serei quase inteira, porque vai faltar você.
Eu vou amar, claro que vou. E não vai demorar muito, você sabe disso. Mas eu nunca vou amar o maior amor do mundo, porque esse eu dei pra você no dia em que disse que estava me segurando.
Eu caí de um lugar muito alto e a culpa é sua, por causa de você eu estive de olhos fechados o tempo todo e não notei quão alto era o lugar pra onde você estava me levando. E lá de cima, você me jogou. E doeu tudo, doeu por inteiro. Mais de quatro meses depois, eu ainda sinto dor no corpo, eu ainda sinto meus ossos quebrados, querendo voltar para o lugar.
Obrigada por ter me feito abrir os olhos pro amor, obrigada, por sua causa eu nunca mais subirei tão alto.
Desculpa se fui pesada demais, mas você podia ter parado antes,o que só me leva a pensar que você aguentou firme só pra me jogar do lugar mais alto onde conseguiu chegar.
Depois de tanto ódio, depois de tanto choro, depois de tanta mágoa, depois de tanta indiferença sentida eu digo: obrigada por me jogar.
Daqui de baixo eu consigo ver exatamente quem você é e eu te garanto que se tivesse de olhos bem abertos, não teríamos nem saído do chão.
Obrigada, eu jamais fecharei os olhos novamente, por sua causa.
Obrigada por arruinar a minha vida.
Todos os dias meu pai colocava Sarah Vaughan para tocar, era uma vitrola preta cheia de botões, e ele passava horas ouvindo, e tomando seu velho e bom whisky.
Enquanto todos se reuniam na cozinha para fazer seus lanches, eu ia para o corredor, sentava no chão e ficava horas, horas vendo meu pai e ouvindo a Sarah...
é uma das grandes lembranças da minha infância e era tão, tão bom!
chocolate misterioso
"Ai Paty, eu nem tive tempom de comprar nada pra você de Páscoa, poxa, não fui eu"
E aí, o que faço com isso? Será envenenado?
Chocolate misterioso...até assim é bão!hahahaha
um pouco de felicidade simples
Mas aí na hora que estava voltando pra casa, quando não imaginava que nada mais pudesse acontecer, ele me surpreendeu.
Um barzinho para comemorar a chegada da noite, com a Carol. Brioche de brie com damasco. Chá de erva doce com mel. Torta de nata. Estrada livre, bom de correr. Papo divertido. Tom Jobim cantando alto. Chego em casa vejo Alice vestida de coelho. Tem macarrão pro jantar. Tomo vinho. Um descidinha pro chá nosso de cada dia e ao invés de disso, encontro inesperado com outra amiga. Tomo mais vinho. Volto pra casa e vou dormir feliz. Pra completar, começou agora uma chuvinha boa pra dormir.
Das verdades
"...nenhuma pessoa é lugar de repouso"
Eu prometo jamais esquecer disso...
O poema inteiro:
SALVAÇÃO
Nei Duclós
Estar a salvo
não é se salvar
Como um navegador
que vai até onde dá
você tem que ser livre
para o que pintar
Nenhuma pessoa é lugar de repouso
juntos chegaremos lá
É isso...tudo vai ser diferente, já está sendo! E a gente sempre pode se divertir por aí...rs
DIA DE URSO
Dá uma coceirinha gostosa bem no estômago se sentir feliz, né?
Mas não vamos cantar alto...
Até semana que vem, blog.
Caderno de perguntas
Deu uma saudade do Andrews...ai ai ai, que tempo bom.
2. Porque lhe deram esse nome? Minha mãe tinha uma amiga chamada Patrícia, mas esse era a segunda opção. Mas no final, pra facilitar minha vida, foi assim mesmo.
3. Você faz pedidos às estrelas? Todos os dias, às 19h, quando elas começam a aparecer.
4. Quando foi a última vez que você chorou? À meia hor atrás.
5. Gosta da sua letra? Nem um pouquinho.
6. Gosta de pão com o que? Gosto de pão de qualquer jeito, de preferencia bem recheado com calabresa e queijo.
7. Quantos filhos você tem? Uma filha, logo dois filhos.
8. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo? Eu seria sua amiga até se eu fosse a Paris Hiton.
9. Saltaria de bungee-jump? Mas é claro.
10. Desamarra os sapatos antes de tirá-los? Nunca, às vezes os cadarços ficam anos nos sapatos, com o mesmo nó e laço.
11. Acredita que você seja uma pessoa forte? Eu sou muito forte. Mais do que gostaria.
12. Sorvete favorito? Creme.
13. Vermelho ou Preto? Preto.
14. O que menos gosta em você? A minha grande insegurança.
15. O que mais gosta em você? Minhas mãos.
17. Descreva que roupa e calçado esta usando agora? Um camisão tamanho EXG com uma hipopótama bailarina rodopiando. Nos pés, meias listradas.
19. O que você está escutando agora? Ayo Joyful - Neva Been.
20. A última pessoa com quem falou ao telefone? Mas a Luana, é óbvio....rs
21. Bebida favorita? Coca light.
22. Comida? Pasta, com bastante molho.
23. Último filme que viu no cinema e com quem? Entre os muros da escola. E fui sozinha.
24. Dia favorito do ano? Qualquer dia de Janeiro. Seja no Brasil, seja na Europa, eu amo o mês de janeiro.
25. Inverno ou verão? Inverno.
26. Beijos ou abraços? Beijos.
27. Sobremesa favorita? Sorvetede creme com calda de chocolate com menta.
28. Que livro está lendo? Leite derramado; Adeus China e O paralelo das artes.
29. O que tem na parede do seu quarto? Post-its.
30. Filmes favoritos? Eu vou dizer o meu filme preferido de todos os tempos, mas ele nem faz parte da minha lista, é hour concours: Ata-me.
31. Onde foi o lugar mais longe que você foi? Kiev. Tá bom né?rs
32. Uma música? Girl. The Beatles.
33. Uma frase? "Se não puder superar, supere o vício de falar a respeito". Marian Keys.
Mudando o foco
Então, eu não quero mais falar disso.
Quero falar da sessão de terapia de hoje, que eu faltei. Eu já não queria ir, a dor no ciático anda me enlouquecendo. Mesmo sem vontade eu saí de casa, tava desde ontem com a mesma roupa, hora de renovar. Tomei um banho, lavei o cabelo, coloquei meu jeans com uma blusa do U2 e fui. No caminho fiquei pensando o que falaria para ela, lembrei que eu devia contar pra ela que eu estava decidida a procurá-lo, mas como eu não quero mais falar disso, e falar da dor no ciático para ela seria perder tempo, decidi parar numa loja.
E disse eu quero falar. Comprei dois batons da MAC, um é cereja e o outro canela, puro poder. Depois comprei uma calça largona, bem colorida, que com uma blusinha branca vai ficar um luxo. Comprei também um presente para a minha amiga Letícia, uma base da MAC que em Bruxelas é o triplo do preço. Comprei roupinhas pro Tadeu e uma bonequinha de pano para Alice. Por fim, fiz a minha melhor compra dos últimos tempos: o perfume Daisy, do Marc Jacobs. Puta merda, que delícia.
Cheguei em casa, tomei outro banho só pra usar o perfume, passei o batom canela para experimentar e coloquei minha blusa de dormir. Fiquei dormindo e acordando o resto do dia, e o ciático parou de doer um pouco, parece que esse remédio que o Doctor House me deu é bom mesmo.
Coloquei um pouco de Daisy no lençol, acho que terei uma noite maravilhosa (assim que o diazepan fizer efeito, claro).
Tô fazendo as contas aqui, e eu teria tido um lucro de aproximadamente 400 € se tivesse entrado naquela sala fria da minha terapeuta. Mas na boa, eu realmente não quero mais falar disso, e enquanto eu não encontrar um assunto bom pra dividir com ela, eu vou gastando no shopping.
Ana Cristina César
Queda
Eu não sou fácil
Ciático
Acordei 7h da manhã, só consegui me levantar da cama às 9h e mesmo assim depois de chorar muito de dor.
Agora to aqui, numa posição só, esperando a injeção enorme que o Doctor House mandou me dar, fazer efeito. Um óleo estranhissimo que entrou feito foguete.
Diz que tenho que ficar de repouso absoluto.
E diz que tenho que fazer vários exames, porque a minha situação tá feia.
Os médicos espanhois são gentis até não poder mais.:(
Para um filho da puta sem coração
Eu tinha uns 18 anos anos, a gente namorava a quase 1 ano, aquele nosso namoro de final de semana, de ponte aérea, de família vigiando. Um namoro tão perfeitinho que me irritava, confesso. Eu queria mais era dançar, era rodopiar por aí. Morava em Ipanema, e era feliz, colorida. Tinha as bochechas vermelhas e naquela época eu ainda gostava do sol. Ele vinha me ver, e a gente fazia muitas coisas legais, mas o mais legal daquele namoro era passar as tardes ouvindo Lulu Santos, dançando nas mais agitadas e se abraçando no "Um certo alguém", essa sempre vai ser a música daquele namoro de adolescencia, aquele namoro sem regras e sem certezas, mas que fazia um bem tão grande, que vez em quando eu sinto saudade. Um dia desses eu senti tanta saudade que decidi reviver, mas sabe, a gente já não tem mais 18 anos, o Lulu já está de cabelo branco, o sol me deixa bastante nervosa e Madrid não se parece em nada com Ipanema.
Mas ele sempre vai ser o meu namoradinho, a gente sempre vai poder confidenciar coisinhas e brincar disso. E quando eu for ao Brasil, ele vai me encontrar no Rio, e a gente vai comer o melhor brownie da cidade (na nossa opinião), a gente vai ao BG e falar algumas besteiras sem medo do dia seguinte.
Ele não é o meu "certo alguém" e nem se parece em nada com o homem dos meus sonhos mas sempre, sempre, sempre, é ele quem cura a minha ferida, é ele quem fala a palavrinha mágica para me deixar um pouco mais feliz, é ele quem me sacode, abre a janela e obriga o sol a entrar. Por mais que ele seja um filho da puta sem coração, é o único filho da puta sem coração que teve paciência para conhecer o melhor de mim.
Um dia eu entrei no avião, larguei a minha vida e caí no Oceano, quase me afoguei, mas ele me salvou. Um dia eu me joguei da corda bamba, e ele estava lá em baixo, pronto para me segurar, porque sabia que eu era pesada demais e não seria tão fácil me carregar.
O meu namoradinho de quando eu tinha 18 anos é o único filho da puta sem coração que eu deixo opinar sobre a minha vida. E quem sabe um dia, quando eu tiver coragem de ficar loiríssima de novo, e voltar pro sol de Ipanema, a gente não possa brincar de ouvir o Lulu Santos no volume máximo?
Eu não sei viver sozinha
Mas aí que eu tava no MSN com o Marcos, um amigo de infância que passou parte da vida apaixonado pelos meus lindos olhos castanhos guaraná e no final casou com a mulher dos olhos azuis mais lindos que já vi na vida, falando sobre as novidades e quando eu mencionei muito superficialmente que havia conhecido um carinha mais ou menos bonito, mais ou menos legal, mais ou menos qualquer coisa, ouvi tudo que precisava para meu dia terminar (começar) feliz:
Marquinhos - Trabalhando!!! diz:
*sabia...
Patrícia diz:
*sabia?
Marquinhos - Trabalhando!!! diz:
*sim.
Patrícia diz:
*pq?
Marquinhos - Trabalhando!!! diz:
*pq vc não consegue ficar sozinha...imagino o quanto vc esteja carente até pq vc sempre foi uma pessoa carinhosa e dada no bom sentido, da maneira como falou...rs...já te conheço de outros carnavais...rs
*esqueceu?
Patrícia diz:
*eu não consigo ficar sozinha?rss
Marquinhos - Trabalhando!!! diz:
*não.
Patrícia diz:
*pq vc tá dizendo isso?
Marquinhos - Trabalhando!!! diz:
*não me lembro em todos esses anos de vc ter ficado muito tempo sem namorar...apenas isso.
*e nem vc se lembra tb...rs
Patrícia diz:
*nao mesmo
*rs
*eu não dou sorte, isso sim. Preciso encontrar alguém sério, que confie em mim, que cuide de mim, e enquanto não achar
*desculpa, eu vou continuar tentando.
To até pensando que ele mais bonito do que feio, mais legal do que chato....
Aii, é impossível ser feliz sozinho, poxa!
*Enfase no "dada no bom sentido", ele é muito gentilzinho mesmo...hahaha
Primeira roupinha do Tadeu
el amor valiente
Alice com sua abuelita, e uma casa toda para mim.
Sábado à noite, nenhum convite interessante e ao invés de enfiar as meias e ir para debaixo do cobertor, fui fazer compras.
O horário mudou aqui, então fiquei mais perdida ainda. Saí do shopping 3h da manhã, no caminho de casa vi um barzinho aberto. Parei o carro e decidi entrar ali, pedir uma coca-cola e vir embora. Mas tava rolando uma música boa, então fiquei um pouco. Tive vergonha de perguntar o nome da banda, então peguei meu moleskini e comecei a anotar uns versos para procurar quando chegasse em casa.
Cheguei, joguei as sacolas em cima do sofá, sentei na cama com meu copo de leche merengada na mão e decidi procurar a música.
Pois o grupo chama Deluxe. E o nome do álbum, olha que pertinente, é Fin de un viaje infinito. O álbum todo é fabuloso, mas El amor valiente caiu no meu gosto. Achei no goear, e tá aqui. A trilha sonora do meu sábado solitário, agora com nome e tudo.
-Um dia eu decidi não pensar mais em nós dois, e aí te deixei de lado. Tempos depois eu percebi que não te amava mais, e foi assim.
-Tarde demais?
-Sim, tarde demais.
-Ok, eu teria te amado para sempre. Vou viver a minha vida.
-Boa vida.
-Pra você também.
E só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer
[Miguel Sousa Tavares]
E vou...
Eu quero...
"e que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.
- mas não seria natural.
- natural é as pessoas se encontrarem e se perderem."
Fui todo o trajeto papeando no celular com a minha melhor amiga, rindo das besteiras que iremos fazer juntas nas próximas férias, almaldiçoando os homens maus que apareceram na nossa vida e comentando o preço absurdo dos vestidos mais lindos do mundo, até que eu senti um gotinha na ponta do meu nariz.
Desliguei o telefone, apressei o passo e entrei no café, estava só à uns 20metros, distância suficiente pra as gotinhas virarem gotões e molhar quase todo o meu cabelo. Sentei e pedi meu café, peguei uma revista qualquer e fiquei ali, entre uns goles e uma leitura meio fútil. Quase 1hora sem sentir nada, só o sabor de 3 xícaras de café com canela.
Esperei a chuva passar e saí da cafeteria. Já na porta eu senti alguma coisa. O vento que era quase gelado, estava bastante gelado e o casaquinho não suportava, esfreguei as mãos e coloquei no rosto e senti a ponta do nariz quase congelando, tentei apressar os passos para atravessar a rua e chegar em casa mas fui quase atropelada por um casal que corria na minha frente pra se proteger do frio repentino e olhando pra eles dois, eu comecei a sentir muitas coisas.
O primeiro sentimento foi a saudade. Uma saudade bem forte que parecia arrebentar o meu peito. Sentei no banquinho molhado, abri a minha carteira e peguei a única coisa que restou dele. Uma foto que imprimi do computador, para guardar perto dos meus documentos (sim, coisa brega, mas era pros momentos de saudade). Na foto ele tá com um casaco cinza e amarelo, uma calça cinza o cabelo meio seco meio molhado abaixado, mexendo numas plantas, ou sei lá o que é aquilo. E ele tá sorrindo, um sorriso bem largo que mal deixa seus olhos aparecerem.
E nessa hora eu tive o segundo sentimento. Tristeza. Eu senti uma lagriminha e ela molhou aquela foto que foi feita com um papel qualquer, e desbotou o rosto dele e caiu direto no sorriso. Mas eu sabia que ali tinha um sorriso, diferente daqui.
Eu não fiquei triste porque ele estava sorrindo, mas fiquei triste porque ele devia ter sentindo tristeza um diazinho sequer. Eu devia ter sabido.
E eu senti raiva. Porque eu devia ter lutado mais, eu devia ter feito o que ele pediu. E eu senti mais raiva, porque ele não fez absolutamente nada além de me pedir para fazer tudo. Ele devia ter lutado mais, ele devia ter me amado como disse que me amava, porque eu o amava exatamente como dizia.
E então eu levantei do banquinho molhado esbravejando e muito, muito brava por ter sentido saudade e tristeza antes de sentir raiva. Eu estava muito, muito brava por ter perdido mais uma lagriminha. Eu estava puta da vida porque ele, de novo, invadiu os meus pensamentos e voltou a fazer frio dentro de mim.
Acho até que resmunguei alto. Acho até que um senhor que passava na hora se assustou comigo. Dane-se, eu tava brava mesmo e todo mundo deveria saber disso.
No ponto alto da minha fúria rasguei a foto em mil pedacinhos e joguei no cesto da rua. Corri pro meu prédio, subi as escadas num ritmo muito acelerado, tranquei a porta, fechei as janelas e me recusei a pensar na possibilidade de voltar lá e catar.
Afinal, eu estou mais brava do que arrependida.
Nesse momento eu estou relaxando e quase ficando normal de novo, aquela nem era a foto mais bonita dele. Mas ainda tá meio gelado aqui dentro.
Eu fico feliz porque jajá vou dormir e quando eu acordar terá sol, talvez de noite faça frio de novo, e depois sol e depois frio. Mas terá um dia, eu tenho certeza que terá, que eu poderei tirar o meu casaquinho sem medo.
É primavera
Quase 20º em Madrid, e a felicidade de estar nesse lugar só aumenta.
Eu gosto do final do inverno, o cinza dá lugar a um colorido tão colorido que me anima.
O sol ilumina o meu rosto e expõe todas as marcas que o inverno deixou. Eu to um pouco assustada com isso, mas feliz porque tá clareando e dentro de mim tem uma certeza de que vai ficar tudo bem.
Já não posso mais chorar, não tem chuva pra fazer confundir. Tá na hora de sorrir e deixar o sol entrar.
Eu amo Madrid na primavera. Agora sim ela tem a minha cara.
A casa de Alice
Não gostava nem de brincar de casinha, quando era criança. Eu tinha certeza que havia nascido sem o tal "instinto materno"...o tal dom mágico que surge como que por um milagre em toda mulher na hora do parto.
Tenho sérias dificuldades em administrar os "porquês" e "bicos" da Alice.
Nem sempre, no final do dia, tenho a paciência necessária para recortar palavras começadas com "a" e "i".
Eu definitivamente odeio "Cartoon Networks" e as dancinhas do Barney...não sei como explicar a ela que simplesmente, por mais incrível e inacreditável que isso possa parecer, não posso comprar tudo o que ela deseja...e eu nem sei como ela consegue desejar tudo o que ela deseja...
Não sei o que responder quando ela vem reclamando que as "costas estão coçando" com um ar de acusação como se eu tivesse culpa de ter gerado um ser...que pode sentir coceira nas costas. Não consigo ficar indiferente às suas "crises precoces de adolescente" e isso torna as tais crises ainda mais freqüentes e eu ainda mais intolerante.
Tento o tempo todo ferozmente resistir a tentação de resolver os seus problemas, tirar todas as suas dúvidas, elevar sua auto-estima, espantar seus fantasmas...nesses momentos me sinto o ser mais impotente e incompetente do planeta...
Sabe, ainda outro dia eu era uma menina mimada e bicuda que vivia com coceira nas costas.
Mas agora a casa é de Alice, e chegou a minha vez de entender o motivo das costas coçarem...
no mais, eu to bem...é, eu to bem!
Ontem ele repetiu essa frase tão doce e esperançosa.
E hoje eu amanheci um pouco mais feliz. Aos poucos a felicidade vem...as portas estão abertas.
Sem ar
Existem momento assim, em que simplesmente não conseguimos respirar.
E hoje o ar me faltou por diversas vezes, e já cega de tanta tontura eu lembrei que ainda existe um chão instável para me amparar.
Definitivamente: levantar de uma vez só não é aconselhável.
Caio Fernando Abreu
Só queria te contar
"E eu queria te contar. Sei lá porque. Essa hora que a gente se contava me dava força sabe? Me dava gostosinho na alma."
"E a gente não fez isso. A gente não fez tanta coisa. Mas o que dói mesmo é esse finalzinho de dia. A hora que eu validava a minha existência com a sua atenção. A hora que eu representava o mundo para a única platéia que me interessa. A hora que eu me irritava um pouco, porque fazia parte. E então tudo isso que pensei e vivi ganhava um motivo maravilhoso e digno que era virar imagem no seu ouvido. Virar realidade. Agora fico aqui me perguntando se eu existo mesmo. Porque se não me conto para você, o que eu sou? Pra que serve?"
"E a cadeira balança com o vento lá fora e quando eu vou ver tô chorando daquele jeito que faz mugidinhos."
"Puta merda. O foda é o final do dia. Sem me depositar em você pra respirar sem rinite. Sem bater meu cartão em você pra ter o descanso de quem pode terminar bem o dia."
"Eu sei, eu entendi. Só queria te contar...Eu sei que nunca é o que poderia. Mas eu amo você. Só queria terminar dizendo isso. Eu amo você. De verdade."
fragmentos de Tati Bernardi...sentimentos de Patrícia Bardazzi.
Post-it
"Carpe diem. Esse é o final de semana mais importante da sua vida. E sozinha você vai aprender de onde sai a força. Tente se concentrar em você."
Uma hora esperança
Quando acordo, antes mesmo de abrir os olhos a imagem dele sorrindo por algum motivo idiota me vem a cabeça e eu sinto meus lábios sorrirem de forma involuntária, fico feliz por alguns instantes, mas assim que passo a mão no meu rosto sinto meus dedos molharem e aí eu lembro de tudo que aconteceu em 3 meses 18 dias e 6 horas, a tristeza é tão instantânea quanto a alegria de lembrar do sorriso dele, e aí eu estou pronta pra levantar e encarar o meu dia. O meu dia sem ele. Eu abro os olhos e desligo o despertador do celular, agora já consciente de que não é ele ligando, é só o meu dia me chamando pra luta. Eu olho pro lado pra me certificar de que não estou em um pesadelo e é nessa hora que começo a me lembrar do sonho daquela noite. São mais de 100 noites de sonhos. No começo eram sonhos bons, atualmente são pesadelos estranhos e que podem estar lotados de significados, mas a certeza é de que todos esses dias ele me acompanhou enquanto eu dormia.
Vou ao banheiro, tomo banho e a água quente do chuveiro se mistura com uma lagriminha que insiste em cair. E na hora do banho eu também penso nele, às vezes eu penso que deveria estar reclamando porque ele não lava as costas direito e em outras vezes eu penso que deveríamos estar fazendo algum tipo de coisa impublicável. Quando saio do banho e vou me vestir também penso nele, penso em como ele gostaria de me ver vestida, e normalmente nessa hora me entristeço muito, porque eu sempre acho que ele ficaria feliz me vendo leve e colorida, mas aqui dentro está tudo tão pesado e escuro à 3 meses 18 dias e 6 horas que decido me esconder e coloco um jeans e uma camiseta preta.
Coloco os meus óculos de sol e saio do quarto, afinal, Alice não precisa perceber que eu chorei logo de manhã. E na mesa do café da manhã eu também penso nele. E penso que não deveria comer tantos queijos e tomar refrigerante logo cedo, penso que ele estaria reclamando e praticamente me obrigando a ser mais saudável. E eu troco o refrigerante por um suco e o agradeço por isso.
Tudo isso, sem tirar os olhos do celular.
Saio de casa pra fazer as minhas coisas, para cuidar da minha vida de adulta, e nessa hora eu penso muito nele. Quando estou sozinha no meu carro eu penso absurdamente nele. Eu lembro de cada detalhe da minha vida desde o dia 15 de julho de 2008. No rádio sempre toca alguma música que faça lembrar dele, em cada lugar que eu passo tem alguma coisa que o traga de volta e eu preciso me controlar pra não pegar o telefone e ligar pra ele. Eu preciso me controlar pra não dizer pra ele o quanto eu penso nele, o quanto ele me acompanha lindamente durante todo esse tempo.
E eu ligo o computador pensando nele. Abro meu e.mail de olhos fechados com uma esperança enorme e triste de que terá alguma coisa dele, qualquer coisa vinda dele. Tem dias que torço pra ter algum tipo de desaforo, só pra saber se ele realmente está bem, se ele realmente está ali, só pra saber se ele pensou em mim em algum momento, nem que tivesse sido naqueles 2minutos escrevendo um e.mail. E eu fico pensando que ele levaria mais de 2minutos, porque pensaria em mandar o e.mail, depois iria abrir a caixa de e.mails, depois iria escrever o meu nome e me escrever, aí já seriam uns 10minutos pensando em mim e isso me enche de uma alegria estranha, mas quando vejo que não tem absolutamente nada eu sinto uma dor tão grande que preciso abrir bem a boca pra conseguir um pouco de ar, nas poucas vezes que tinha alguma coisa eu senti alguma coisa inexplicável, poderia ficar aqui falando um milhão de boas sensações, mas acho que não sou capaz de descrever. Não fiquei tão feliz pelo que estava escrito, mas porque ele havia pensado em mim e isso era uma prova concreta.
Abro o gtalk e o MSN e vou na janelinha dele pra ver sua foto, fico admirando seu rosto e fico compulsivamente olhando para ver se ele está digitando alguma coisa pra me mandar. E escreve um monte de besteiras, às vezes escrevo muito, mas normalmente apago tudo e pergunto como ele está. Eu o obrigo a pensar em mim, a lembrar que eu existo, a imaginar o meu rosto. Essa sensação não é nada boa, confesso. Eu me sinto envergonhada por tê-lo obrigado e logo saio de cena. O deixando em paz para me esquecer de novo. E sigo meu dia, e sigo com ele dentro de mim.
Quando chego em casa à noite, eu vou jantar e à 3 meses 18 dias e 5 horas eu como peixe. Tenho medo de ele chegar de surpresa e ficar desapontado porque estou comendo porcaria e dando porcaria pra minha filha. Ele nunca chegou, mas quem sabe um dia chegaria, precisava estar prevenida. Quando a casa dorme, eu começo a me preparar pra tomar a minha dose dele, é quase um ritual. Eu abro e.mails antigos, fotos e as nossas músicas. Choro bastante, faço como a minha terapeuta mandou, curto o meu luto, e choro muito, para que um dia ele vá embora junto as minhas lágrimas. Tem dias que ouço KT, em outros Otis. Tem dias que ouço os dois e tenho dias exclusivos que só ouço My Girl e Black Bird, nesses dias normalmente eu estou muito triste e com uma saudade que rasga o peito. Eu decidi à algumas semanas que diminuiria a dosagem. Cada dia eu apagaria uma foto e um e.mail (claro, todos estão protegidos em um pen drive especial, que está escondido dentro da caixa de remédios no fundo do armário). E a cada dia eu seleciono uma foto e um e.mail, é claro que trapaceio. Escolho fotos da família dele, e.mails bobos. Mas tem dias que fico firme e decidia e apago as fotos que mais gosto e os e.mails que mais li. Esses são os dias de Beatles, sem dúvida. Abro a minha caixa de e.mails e escrevo um milhão de coisas. Aperto o cancelar e vou dormir.
À 3 meses 18 dias e 5 horas ele é o meu último e o meu primeiro pensamento do dia, ele me acompanha em todos os lugares de uma forma delicada e triste.
Alguns podem pensar que isso é qualquer coisa perto da loucura, da obsessão. Mas eu posso garantir que não, isso é só amor, isso é o que qualquer pessoa que carrega a culpa de uma relacionamento fracassado faria se tivesse visto o amor da sua vida indo embora. E eu tenho certeza de que ele é o amor da minha vida, e justamente por isso sofro tanto e justamente por isso luto tanto para que ele não se vá. E eu fico muito revoltada comigo quando percebo que o rosto dele ta se apagando na minha memória. E então eu pego o pen drive e fico revendo aquelas fotos e decorando cada pedacinho e reparando em cada detalhe que já vi mil vezes.
Eu jamais o faria triste, o faria mal. Eu jamais atrapalharia a sua vida, por isso fico na minha, curtindo a minha dor aguda e crônica e com muita esperança de que um dia ela vá passar e vá se tornar uma dor bonita de sentir.
Eu sempre amarei esse homem, eu sempre o levarei dentro de mim para onde quer que eu vá. Mas hoje, conversando com ele e descobrindo que à 3 meses 18 dias e 5 horas eu não estou dentro dele, estou dentro da caixa que ele escondeu dentro do seu armário, eu decidi que seguirei a minha vida, exatamente como ele fez. E escrevendo essa coisa enorme eu percebi que 3 meses 18 dias e 5 horas é tempo pra caramba e suficiente pra deixar alguém guardado, mas não é tempo suficiente pra deixar de amar. Hoje eu pararei de contar e colocarei minhas saias coloridas no vento, deixarei meus cabelos soltos e sentirei que ainda existe vida aqui dentro. Eu sei que fiz algumas promessas e não consegui chegar nem ao dia seguinte, mas era num tempo onde eu ainda achava que ele poderia bater na minha porta com os olhos marejados e os braços apertos. Hoje eu sei que ele não virá, hoje eu me libertei dessa esperança tola e sem medo deixei a esperança de ser feliz entrar.
Eu não fui a mulher mais amada do mundo, mas à 7 meses 24 dias e 7 horas (vício é vício) ele é o homem mais amado de todo o universo.
Depois de hoje...
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm
-Tô precisando conversar...
-Te recomendo um terapeuta, ele terá o imenso prazer em conversar contigo.
Tun Tun Tun Tun
Aí não satisfeito, rolou um SMS.
Ele mandou "Não te reconheço mais"
Eu respondi "Algum dia você me conheceu?"
Porque ninguém merece desenterrar mortos!
Ponto final
Hoje tenho medo.
Me assusto com a forma como algumas pessoas mudam a história que elas mesmas escreveram. Me assusto com a forma com que as pessoas crescem no meio da fúria e perdem a noção da força que tem e dos seus atos.
Adoraria que hoje fosse apenas uma quinta-feira com sabor de sábado, e que depois do trabalho eu pudesse ir para casa aproveitar o meu primeiro final de semana totalmente livre em quase um ano. Mas não é. Hoje é quinta-feira, depois do dia que eu coloquei um ponto final na única coisa que ainda nos ligava, o dia em que coloquei um ponto final em nós. Um ponto final definitivo. Eu te deixei com as chaves, e pensei que tivesse compreendido. A partir de hoje, tudo em mim se fechou para você. Para você, nunca mais estarei em nenhum lado, e desculpa por ter insistido.
Ar pedante
do destino
Vamos lá...quem quiser, faça.
Regras
1- Encontrar o livro mais próximo
Enquanto o amor não vem, de Iyanla Vanzant
2- Abrir na página 161
3- Procurar a frase 5
"O erro dela foi ficar mais do que cinco minutos depois do primeiro tapa"
4- Escrever a frase no blog
5- Não pode escolher o melhor ou a melhor frase.
6- Passar para 5 cinco pessoas
Vou pular essa parte, não gosto de seguir regras até o final:p
Viver tem que ser perturbador
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia"
trecho de O Divã, de Martha Medeiros
Por fim
Não se equeça de mim
Com quem você estiver não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Mesmo que exista outro amor que te faça feliz
Se resta, em sua lembrança, um pouco do muito que eu te quis
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Quando você se lembrar não se esqueça que eu
Que eu não consigo apagar você da minha vida
Onde você estiver não se esqueça de mim
Y sigo pensando
Pienso un poco más en tí
Despedazo mi razón
Se destruye algo de mi
Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Cada vez que sale el sol
Busco en algo el valor
Para continuar así
Y te veo asi no te toque
Rezo por ti cada noche
Amanece y pienso en tí
Y retumba en mis oidos
El tictac de los relojes
Y sigo pensando en tí
Y sigo pensando.....
Parabéns, minha Alice querida
Nesta hora eu tinha apenas muitas dores de barriga. E insistia que a culpa era do pão-de-deus com quase um quilo, das 300g de fiambre, do litro de leite e do toblerone que comi antes dos quatro tomates recheados com carne moída. O teu pai sugeriu que eram contrações e eu pensava que era impossível, vou ficar grávida para sempre, contigo dentro de mim cheia de soluços. Há quatro anos não vivi o dia mais feliz da minha vida, nem sequer o mais intenso. Foi (apenas), como dizia a canção que ouvimos nessa madrugada, o primeiro dia do resto da minha vida. Desde o dia, do meu 14 de Fevereiro de 2005, com o nome mal escrito no registro de entrada de parturientes do Hospital Alfredo da Costa, vivi um parto feliz. Experimentei (apenas) as dores do amor que sufoca quando olhei para o teu corpo minúsculo. Quatro anos, dezesseis quilos, e eu te amo todos os dias com esse amor que dói, que sufoca, mas que não se compara a nada nesta vida.
Meu sono é interrompido de duas em duas horas por um pânico horrível que paralisa meus órgãos e só deixa viva a bile que toma todo o meu corpo e me faz querer vomitar até virar do avesso.
Eu arregalo os olhos para o teto, fecho minhas mãos com uma força que quase faz com que minhas unhas cortem minhas palmas e deixo a onda da dor vir, ela me sacode inteira, me joga numa profundidade sem som e me afoga por completo.
Abro as janelas porque preciso de ar, mas nunca tem ar para meu pulmão afogado. Coloco o santinho que meu avô me deu no peito e peço a ele: você já morreu por amor, não deixe acontecer o mesmo comigo.
Amar dói tanto que você volta a lembrar que existe algo maior, você se lembra de Deus, você se lembra de vida após a morte. Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria.
Você apela pra todo e qualquer santo, pra cartomante, pra ex-namorado, pra tarólogo, astrólogo, psicólogo, numerólogo, amigo e apela até pra inimigo. Qualquer um, pelo amor de Deus, tire essa dor de mim.
Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então? Minha cama me lembra você, minha cachorra me lembra você, beber água me lembra você, viver me lembra você.
Vou me levantar agora e ir para onde? Tomar banho? Tomar café? Não tenho nenhuma vontade de existência, seja de vaidade ou gula. Só quero ficar deitada, mas ficar deitada também dói. O mundo não tem posição confortável pra mim, aonde vou, essa merda de dor horrível vai junto.
Chorar não adianta, eu seco de tanto chorar e não passa. Ver TV, falar ao telefone, dançar, gritar, escrever, abraçar minha mãe, tomar suco de manga… nada adianta.
Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar.
É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim.
Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto.
Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim, eu imploro pra que pelo menos esse amor que eu sinto por você não me deixe, pelo menos ele, ainda que insuportável, não desista.
Minha cachorra pede um biscoitinho, aí eu choro porque eu lembro que você adorava dar biscoitinho para ela. Está sol, e eu choro porque você ficava feliz com o sol e você feliz era tão perfeito que eu tinha medo. Aí eu vou escovar meus dentes e choro porque você tirava sarro da minha escova elétrica, depois eu faço xixi e choro porque a gente tinha liberado o xixi de portas abertas. Eu abro o guarda-roupas e choro porque eu não quero ficar bonita, eu não quero dar a volta por cima, eu não quero ficar bem pra você ver que eu estou bem e quem sabe ter saudades. Choro porque acho ridículo os jogos da vida, qualquer coisa é ridícula perto desse amor que é tão simples e óbvio.
Quando finalmente eu consigo me arrumar em meio a esse rio de lágrimas, eu choro porque o caminhão do gás passou e aquela musiquinha idiota, mais algumas crianças berrando na quadra lá embaixo e mais dois passarinhos cantando na minha janela, me lembram que a rotina, a alegria e a pureza ainda existem, apesar de você não estar mais aqui.
Nada, nada aconteceu para o mundo. E eu me sinto minúscula e sozinha por não ter a cumplicidade da vida lá fora, por não ter um minuto de silêncio pela nossa morte, por ter que sentir tudo isso sozinha, entre escovas de dentes, xixis e roupas dobradas e cheirosas.
Odeio a ordem de tudo, odeio a funcionalidade de tudo, odeio que a TV ligue, que o telefone toque, que meu estômago peça comida, que japonesas riam fora de hora, que meu carro corra, que a bola quique duas vezes antes e, principalmente, que você, não muito longe daqui, sorria.
Dirijo até meu trabalho sem nada dentro de mim a não ser um monstro parasita que se alimenta do meu desespero, nenhum farelo de comida. Meu lado da frente está quase colando ao de trás, talvez na falta de você eu precise mesmo me juntar mais a mim mesma. Minha mesa está lá, meu lixo está lá, minha cadeira, a menina grande que fala igual a um homem, a gordinha solícita que não pára de me olhar até que eu olhe para ela, sorria e diga bom dia. Está tudo lá, mas você, mais uma vez, não está aqui.
Vou para o banheiro e choro, que novidade? Mas dessa vez porque me olho no espelho, e isso também me lembra você. Eu era sua, a sua menina, a sua criança, a sua mulher, a sua escritora predileta, a sua parceira de dar risada de programas estúpidos que passam de madrugada na TV, a sua namorada sensível que tinha medo de vomitar e de amar demais, assim como você. A sua melhor amiga pra sentar num banco de praça e falar mal de todo mundo, pra perder um trem na Itália e ainda por cima sentar num chiclete fresco ou pra cuidar do nosso porquinho de pelúcia. Eu era a mulher que encaixava a cabeça nas suas costas e sabia que tinha nascido a partir de você, eu era a mulher que esperava sofridamente você voltar mas nunca deixou de te amar mesmo quando você ia.
Todo mundo me fala que eu preciso ser minha, inclusive pra ser sua, mas eu não deixo de olhar para o espelho e ver uma metade de gente, uma metade de sonho, de sexo, de alegria e de futuro. Que se foda a auto-ajuda, que se fodam os livros com homens carecas, que se foda o terceiro olho (do cu?) e que se foda a psicologia: eu sou mesmo metade sem você e que se foda!
Se antes de você aparecer eu já te amava, eu já te esperava, eu já sabia que você existia, como eu posso não te amar agora que você tem forma, sorriso, coração e nome?
Estado de graça
Como é que se verbaliza, como é que se passa para o papel, aquela sensação de felicidade que nos faz sentir maiores que somos? Aquela impressão de que me expandi e consigo abraçar o mundo inteiro? Aquela certeza de que mesmo estando sozinha, tenho aqui dentro todos os que amo!
Não foi só um dia bom, não foi só um domingo 5 estrelas, foi muito mais que isso...
Foi o sentir-me grande mesmo minúscula, foi o sentir-me acarinhada, foi a simplicidade de um domingo, que um gesto amigo transformou num domingo inesquecível.
Foi a grandeza de algumas pessoas que me deixa fascinada!
O que teve de tão especial esse domingo? Ah...teve amigos, teve um bocadinho de neve, um bocadinho de vinho. Crianças sorrindo, ruelas vazias e gargalhadas dentro de cada casa, teve a particularidade de me fazer esquecer que existe todo um mundo lá fora, enfim.
Que depois de domingo vem a segunda-feira, que há responsabilidades, problemas, preocupações.
Foi aquela sensação de ter vivido o hoje plenamente!
Foi mais uma vez, aquela certeza de que há realmente seres humanos excepcionais, num momento que eu desconfiava até da minha sombra.
Foi, foi mesmo um domingo inesquecível que me faz sentir hoje, em plena segunda-feira, que a vida até pode não ser fácil mas pode sempre ser bonita!
De volta
Only unfulfilled love can be romantic

*Post totalmente fã do jeito sensível, sensual e pleno desse filme tão possível quanto a vida real.
Aleatório
2. Quando estou em casa fico quase sempre às escuras.
3. Me apaixono em três segundos.
4. Desapaixono em anos.
5. Já quis ser mãe solteira. Hoje não queria ser.
6. Gosto de comer tangerinas gomo a gomo.
7. Comprei a minha primeira casa aos dezoito anos.
8. Consigo ouvir a mesma música durante dias seguidos.
9. Falo antes de pensar.
10. Tenho o desgosto de nunca conseguir ler todos os livros do mundo.
11. Mando a merda quem acha que está sozinho no trânsito e faz besteira.
12. Gosto de primeiros encontros.
13. Muita gente me acha antipática.
14. Canto em italiano todos os dias.
15. Finjo muitas vezes que vivo num filme.
16. Fumei durante dez anos.
Foram os meses em que mais amei e em que mais tive certeza da força do amor.
Eu não preciso de muito, só não quero nunca, nunca esquecer de tudo que ouvi e li nesses meses, de tudo que sonhei e do tanto de sentimento que nasceu dentro de mim.
Nesse tempo meu coração se expandiu e agora não tem mais voltar. É difícil preenche-lo dessa maneira, é difícil encontrar alguma coisa que seja suficientemente boa para aquecer esse coração. Mas eu não reclamo e só agradeço. Eu fui feliz, eu fui muito feliz.
Du grand amour qui doit mourir
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice
J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait
Non, je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça
Tu croyais pouvoir t'en sortir,
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu
Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça
Je pourrais t'éviter le pire
Mais le meilleur est à venir.
Salve Nando Reis.
Nunca imaginava que amando
Fosse infeliz algum dia
ao acordar
Olhos de Cão Azul - Gabriel García Márquez.
Leve, enfim. Leve!
Tão leve estou que já nem sombra tenho
E há tantos anos de tão longe venho
Que nem me lembro de mais nada agora!
Tinha um surrão todo de penas cheio
Um peso enorme para carregar!
Porém as penas, quando o vento veio,
Penas que eram... esvoaçaram no ar...
Do passado
E se?
do grande amor
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira
http://www.free-lyrics.org
Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira
Do fundo do meu coração
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais
Mas novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Eu vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim
Eu, toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
E é madrugada...
Estava na minha cama (que já está com a minha cara, nada que um bom lençol colorido não resolva) bem quentinha, mas minhas mãos frias me incomodavam demais. Tentei esquentá-las de todas as maneiras e elas continuaram geladas. Como disse o Machado "Ninguém finge mãos frias". Decidi esfriar o corpo para não senti-las. E levantei.
Coloquei meu moletom de sempre, meu tenis de sempre e fui dar uma volta por essa cidade tão cheia de cores que até com -2° brilha. Peguei meu Ipod novo, que não tem as músicas de sempre justamente pra não sofrer como sempre. E é madrugada, e já passava de 1h da manhã.
Peguei uma caneca de café e saí desse prédio num bairro mais ou menos bonito, mais ou menos seguro, mais ou menos parecido comigo.
Fiquei sentada na escada vendo uns gatos passarem, depois umas pessoas, depois uns carros. Todos com longo espaço de tempo entre um e outro. E eu ali, como se esperasse por alguma coisa.
1hora depois e as pessoas pareciam parar de passar. Os gatos também e o café acabou já fazia tempo. E era hora de voltar pra cama quente e esperar o corpo todo esfriar e quem sabe as mãos também. Mas um último pensamento veio, e eu decidi ir na praça. Uma praça neutra, eu diria. Nunca vivi nada ali. Nunca senti nada ali. E eu quero lugares neutros, eu quero parar de olhar pra esquininha de uma rua e lembrar daquele dia que passei falando com ele e pensei que queria leva-lo ali pra ver aquela esquininha estranha daquela rua sem sentido.
Eu quero parar de ler um cardápio e procurar aquela comida que ele gosta, só porque é bom sentir o que ele sente.
Eu quero que tudo seja neutro, que tudo seja novo.
Atravessei a rua, sentei no banco da praça e ventou muito, muito forte. Tive vontade de pegar o celular e agradeci por te-lo esquecido em baixo do travesseiro. Não queria que aquele vento perturbasse a neutralidade daquele lugar.
E quando eu pensava em algumas coisas neutras, como uma folha com formato estranho que estava no chão, tocou No Surprises no meu ouvido. E eu não me lembrei quando foi que coloquei aquela música tão cheia de sentimentos no meu aparelho novo. E fiquei tentando lembrar e lembrei. E foi quando eu senti alguma esperança. E no meio de 450 músicas, ela tocou, ela gritou.
E eu perdi outro lugar.
Levantei, decidi voltar pro apartamento e dormir, a cama me esquentaria de uma maneira ou de outra. Saí da praça sem olhar pra trás. Eu já não olho pra trás quando tenho que me despedir dele. Dentro de mim, fica apenas uma dor bem doída, uma alma sem aquele jeitinho. Meu sorriso é inexistente e meus olhos querem fazer um oceano.
Quando tenho que ir embora é como se o mundo perdesse a graça. Mas dentro de mim permanece a lembrança das horas mais bonitas que vivi. E eu já não me importo de ter perdido mais um lugar pra ele.
parte da saudade
Todos os dias eu escrevo cartas que não mando, quase lacro o envelope, quase clico em "enviar", mas o mesmo flash volta e dessa vez eu choro.
"E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
Hoje são a minha cama
Minha mesa, meus lençóis
E eu me visto de saudades
Do que já não somos nós"
Coisas que aprendi em 28 anos de purificação espiritual!!!rs
-Cerveja gelada é terapêutica, se tomada em doses homeopáticas.
-Destilados fodem mais que maconha.
-Café servido em copo americano nas padarias de beira de estrada é muito mais saboroso e essa é uma das maiores saudades do Brasil.
-Caminhar na esteira salva vidas.
-Todo mundo tem um lado bacana.
-Todo mundo tem um lado que não presta.
-A pessoa que você mais ama vai te sacanear um dia.
-Um dia você vai sacanear a pessoa que você mais ama.
-La Gran Vía foi feita pra passeios descompromissados em fins de tarde.
-O melhor e mais caro colchão do mundo não bate o conforto de dormir no balanço de uma rede.
-Queijo branco quente com tomate e azeite é infinitamente mais gostoso que big mac e derivados.
-Só curtem blues aqueles que já se foderam muito na vida e souberam dar a volta por cima.
-Bossa Nova foi a melhor invenção nacional dos últimos 999 anos.
-Cazuza foi muito mais homem que qualquer outro da geração de rock dos anos 80.
-Não existe nada mais acolhedor do que o sorriso do seu filho.
-Mulherzinha merece homenzinho.
-Com coragem, metade do caminho já tá no papo.
-Criatividade é sempre a melhor defesa e o melhor ataque.
-Elvis Presley mudou o mundo.
-Quem não gosta de Beatles bom sujeito não é.
-Música boa derrete icebergs.
-Pai e Mãe não deveriam morrer nunca.
-Caio Fernando Abreu é uma religião.
-A Terra é redonda, no entanto, cheia de esquinas.
-Bad Boys são interessantes. Em Hollywood.
-Casablanca deveria ser matéria obrigatória nas escolas.
-Você só vai descobrir que baratas são inofensivas, no dia que se deparar com uma onça faminta... E solta (sábia mama mia).
-Ostentação é coisa de gente que nunca teve amor.
A- sensação de acordar ao lado de quem você ama pode ser melhor do que todas as noites boêmias da sua vida.
-Um dia você vai sentir vontade de trocar todas as trepadas que já deu por um beijo de boa noite.
-Todo mundo já chorou, chora ou chorará por um amor não correspondido.
-Todo mundo já foi o motivo do choro de alguém.
-Meus amigos estão acima do bem e do mal.
-Todo mundo carrega uma cruz. Só os que não desistem no meio do caminho são dignos de receber os milagres.
-Só seu filho consegue te livrar de um surto suícida na TPM.
-A segunda melhor coisa da vida é ter histórias bem vividas na bagagem.
-A primeira é se permitir errar em paz pra aprender a meter a cara na vida sem medo.
Próximo trem
O tempo escorre e corre e se desmancha no meu rosto que já tem algumas rugas e marcas de trilhos e faz algum frio nesta plataforma em que os trens passam rápidos demais por mim e sobre mim que sinto por toda a minha pele como se fosse o tempo e seus ponteiros, e não param, ontem eu vi uma pessoa e ela sorriu e conversou comigo e por alguns instantes eu achei que iria embarcar com ela, mas eu prometi que iria lhe esperar e é o que estou fazendo e é o que farei até que você apareça ao longe, com o seu enorme sorriso mais puro e mais sincero que as teclas de um piano que eu ouço sempre, porque sempre estarei aqui te esperando.
Vem mais um trem e eu sei que não é o nosso, ainda não chegou a hora de embarcarmos e o destino é paciente, vai saber nos esperar.
Eu não sei quando o nosso trem chegará, mas eu sempre esperarei pelo teu jazz e pelos teus olhos pequenos.
Outro tempo começou...
Novo tempo. A partir de agora eu e Alice seguiremos sozinhas. E meu Deus, como isso me basta.
Chega de precisar da opinião das pessoas, chega de sofrer por problemas que não são meus e chega de me decepcionar.
Outro tempo começou, a renovação necessária chegou até minha vida.
Demorou, mas veio.
Cansei, como cansei!
Acho que cansei desse blog também. Quem sabe?
Bem vinda, vida normal
Faz frio em Madrid, muito frio. E mesmo assim acordei disposta, fui ao tal dentista, ver o tal dente fraquinho, pra deixa-lo bem fortinho. Chega de fraquezas dentro de mim.
Fiz supermercado, enchi a dispensa dessa casa que não é minha, mas que está assistindo de camarote o meu retorno ao mundo real, ao meu mundo ideal.
Preparei uma das minhas gororobas pra almoçar e agora vou dar uma limpadinha aqui e outra ali. Mais tarde partirei para os Alpes, olharei uns apartamentos e enfim deixarei de lado toda a tristeza desse tempo. Ela já está guardada na minha mala, pronta pra ser entregue.
Bem vinda, vida normal. Eu pedi tanto pra você mudar, e no final só te quis de volta.



