2009

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Então, nada de retrospectiva, nada de lista de promessas que eu não irei cumprir... Tudo que eu quero é que esse ano tosco acabe! Porque o ano pra ser tumultuado como esse, não vejo a hora de ir de vez. Eu gosto de números impares, conseqüentemente gosto de 2009, acho que vai ser um ano ao menos mais sonoro aos meus ouvidos. O que quero mesmo é que essa sensação de “pode estar acontecendo alguma coisa” que to tendo agora na finaleira do ano, aconteça de vez ano que vem. Porque ta na hora de alguma coisa lá em cima olhar pra mim e pensar “coitada, ta na hora de dar um respiro pra essa”. Sério mesmo, preciso respirar, preciso de algumas coisas boas, algumas surpresas, menos bla bla bla e mais acontecimentos reais por aqui não faria mal a ninguém. Um pouco mais do delicado da vida, é esse o meu desejo de ano novo. Nada de grana, de trabalho, não que não seja bom, se vier vai ser muito bem vindo, mas a gente tem que focar na coisa, isso de jogar pra todo lado nunca da certo mesmo. Então quero o delicado, quero algumas noites em claro por ótimos motivos, só quero que aconteça... Seria como presente de Natal atrasado, que eu acho sempre tem um sabor melhor porque você nem espera mais presente algum. E que venha 2009!

A minha dor

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"Eu peguei a minha dor nas mãos e comecei a fazer coisas com ela. E vi que é possível fazer coisas com a dor dos outros também. Os castelos que quando destruídos nos enchem de sofrimento, eles mesmos podem ser construídos do próprio sofrimento."
por Gustavo Gitti
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Quando eu queria pedir alguma coisa ao meu pai, ou contar-lhe alguma coisa ruim, escolhia sempre a hora do banho. Batia à porta do banheiro e sentava no vaso sanintário [ainda hoje acho que esta é a posição de conversa mais confortável]. Ajudava o fato de não o ver.
A última vez que baixei a cabeça com vergonha-adolescente devia ter 19 anos.
- Pai...
- Sim, Patrícia...
- Bati com o carro.
Ele me espreitava com o cabelo cheio de espuma com cheiro de aveia.
- Está bem???
- Estou...
- Então deixa... o resto eu resolvo.
E eu fiquei sentada ouvindo a água correr com a serenidade da certeza que, contigo, tudo se resolvia.

Podia ter vivido um grande amor

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Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se näo tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand' hotel


Se a gente não dissesse tudo täo depressa
Se näo fizesse tudo täo depressa
Se näo tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor

Um dia um caminhäo atropelou a paixäo
Sem teus carinhos e tua atençäo
O nosso amor se transformou em "bom dia"

Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só pra se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver

Se a gente näo dissesse tudo täo depressa
Se näo fizesse tudo täo depressa
Se näo tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor

Um dia um caminhäo atropelou a paixäo
Sem teus carinhos e tua atençäo
O nosso amor se transformou em "bom dia"

Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só pra se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver
Só pra se viver (x3)
Ficar só (x2)

É que eu não posso mais

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Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei
Me encontro tão ferida, mas te vejo ai também em carne viva
Será que não tem jeito?
Esse amor ainda nem nasceu direito, pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Eu não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço
Eu não vou, eu não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só
Me dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia: conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções
Então por que?

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Eu não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço
Eu não vou, não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos
Cheio de defeitos...

Dor silenciosa

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Estava usando todo o meu tempo livre pra ler blogs, e percebi que as pessoas gostam muito de escrever sobre as suas dores. E vi que se eu fosse falar das minhas, isso aqui já teria, brincando, umas mil postagens nas últimas 72horas.



Voltei no arquivo pra ler tudo que andei escrevendo e vi também que falo pouco quando sofro muito. Minha dor é silenciosa, e quanto mais sofro, menos falo.



Por isso esse blog anda tão parado...tá explicado?

Quando aconteceu?

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Não sei
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu?
Quando a sorte não mais soube ganhar?
Não
foi ontem que eu disse não
Mas quem vai dizer tchau?

Onde aconteceu?

Não sei
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não
Foi ontem que eu disse não
mais quem vai dizer tchau?

A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro o amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Para que ele possa ser de alguém

Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Houve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.

Chega

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"Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. O trator da felicidade. Atropelei o mundo e eu mesma. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e...quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Eu só espero chegar as nove da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care."


Tati Bernardi

Para Maria da Graça, de Paulo Mendes Campos

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Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.

A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás.
Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço!
Só as criaturas humanas conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso;
nem toda sabedoria tem de ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon". Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar:
"A corrida terminou! mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida, mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuido tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo.
E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor.

Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor:
uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá.A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

Quem te vê lendo jornal na fila do pão, ainda sabe que me encontrou???

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Tá tudo tão estranho, tudo tão fraco. Eu olho e vejo embaçado, preciso apertar os olhos bem forte pra que tudo volte a ficar nítido, mas isso cansa.



Os tempos mudaram. Mas afinal, ninguém dirá que é tarde demais...tão diferente assim, porque do nosso amor a gente é quem sabe!



Será que sabe?